Petrópolis, 27 de Novembro de 2016

 

OBEDECER OU PENSAR...

QUANDO NÃO ENTENDEMOS...

 

  Na época do Renascimento (uns 500 anos atrás) começaram a endeusar a "razão". E não foi por coincidência. Havia uma mente pensante dirigindo o mundo contra Deus, naquela época também. Para os últimos tempos, em que já estamos vivendo, do que fartamente nos advertiu o Senhor, os homens deixariam o Senhor e a fé por qualquer outra coisa. A lógica, a verossimilidade (o que parece ser a verdade) e a razão receberiam destaque. E em conseqüência os homens se afastariam da verdade (o que é a essência da apostasia). Desde que nossos pais Adão e Eva quiseram comer da árvore do conhecimento, de lá para cá isso tem norteado todo avanço da humanidade e todo progresso da Ciência.

  Em Mc.11:1-7 encontramos a ordem de Jesus para seus discípulos irem à sua frente buscar o jumentinho. Era evidente que alguém iria protestar, como é óbvio que em todo ato de obediência que tivermos que fazer, para agradar a Deus, haverá alguém (ou a nossa própria razão) a questionar. Na hora não daria para entender porque o Mestre queria montar um jumentinho (e não a mãe, adulta). Só bem mais tarde se compreendeu o significado daquele ato.

  Ainda em Mc.11:12-14 encontramos a inexplicável maldição de uma figueira que não tinha frutos, porque não era época. Só no dia seguinte os discípulos encontrariam uma explicação de Jesus.

  O apóstolo Pedro nos recomenda que “cinjamos” o nosso entendimento, para dar lugar à obediência (1Pe.1:13,14). E diz que é pela obediência que nós cristãos purificamos a nossa alma (1Pe.1:22). Diríamos até que o "obedecer é melhor do que o questionar". Mas é exatamente nisto onde nós encontramos os maiores desafios para a nossa obediência e o nosso crescimento em direção à maturidade. É difícil para nós que “pensamos” o simplesmente obedecer.

  O apóstolo Paulo nos afirma que exatamente devido a esse ponto é que Deus não chamou muitos sábios segundo a carne, mas preferiu usar os de menos entendimento para realizar a sua obra maravilhosa (1Co.1:26,27). A diferença de comportamentos reside exatamente na fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb.11:6). Quem se dirige pela razão vai perguntar primeiro. Quem se dirige pela fé vai obedecer primeiro.   Os frutos desses dois comportamentos se diferenciam claramente. E têm conseqüência pelo resto da vida e da eternidade.

  Se quisermos “entender” a obra de Deus primeiro, vamos certamente ser impedidos de agir pela fé, o que pode nos fazer retroceder até à perdição (Hb.10:39). É triste pensar-se nessa hipótese, de um “crente bem intencionado” vir a naufragar exatamente na fé (1Tm.1:19).

  Eu creio que a maioria de nós teremos sempre dificuldades espirituais na área de nossos pensamentos. Quando a “deusa razão” se entroniza (e os homens elogiam muito uma pessoa assim) já estamos próximos de desagradar a Deus. É, portanto, muito pertinente a recomendação de Pedro: “cingir o entendimento”. Eu entendo isto como sendo a necessidade de “amarrarmos” o nosso entendimento, em prol da obediência, para irmos purificando a nossa alma (1Pe.1:22). Segundo Paulo, isso seria equivalente a “levar todo o pensamento cativo à obediência de Cristo” (1Co.10:4,5).

  Em resumo, sempre haverá muita coisa que não entenderemos. É melhor nos dirigirmos pelas nossas certezas (fé) do que pelas nossas dúvidas (onde trabalha a razão). E quando com o Senhor, por toda a eternidade, acredito que teremos oportunidades suficientes para tirar nossas dúvidas todas.

  Lembrando que seremos justificados pelas obras (fruto da obediência) - Tg.1:21,24,25, não deveríamos perder muito tempo com o que não entendemos. A enciclopédia da ignorância é sempre muito maior do que a do conhecimento (aqui na Terra).

  Seja você também uma pessoa que persevera pela fé e segue para produzir frutos (Hb.10:38,39).

 

Pr. Érico Rodolpho Bussinger

Ramá - Niterói

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