PALAVRA PASTORAL

 

 

         LÍDERES EVANGÉLICOS COMO JEÚ - OS JEÚS QUE DEUS USA AO LONGO DA HISTÓRIA
 
    Sempre me despertou a leitura da História Bíblica a respeito do personagem chamado JEÚ.  Ele aparece nos cap.9 e 10 de 2Reis. Era um capitão do Exército, termo que significava comandante de uma companhia ou grupo de soldados. Aparentemente ele não era comandante geral e nem mesmo sabemos se o rei Jorão, filho do rei Acabe, naquela época tinha um comandante geral para o Exército, ou se ele mesmo, por precaução contra traições, o comandava pessoalmente. Jeú era filho de Josafá, filho de Ninsi, o que não nos acrescenta nada de significativo. Apenas sabemos que ele era um dos capitães. Deus já havia revelado ao profeta Elias, antes de partir, que ele deveria ungir ao Jeú como novo rei de Israel (1Re.19:16). Também não sabemos porque ele “passou” essa responsabilidade para o seu discípulo, profeta Eliseu. Este também não quis cumprir a ordem de Deus diretamente e também “passou” a responsabilidade para um outro discípulo de profeta, anônimo (2Re.9:1,2). E ele cumpriu a missão. A partir daí Deus fez os fatos acontecerem, por conta do curso natural das coisas e das inclinações naturais das pessoas. As coisas aconteceram e Jeú teve que contar para os seus “colegas” que havia sido ungido rei por mandado de Deus, para extirpar a casa de Acabe (2Re.9:6-10). Imediatamente eles aderiram à revolta e a conspiração aconteceu. Não foi difícil matar o rei Jorão, que estava doente. E de resto, Jeú também matou o rei Acazias, de Judá, que era cunhado dele, casado com a Atalia, filha da Jezabel com Acabe.   
     Não foi necessário Deus revelar mais nada, porque a índole do próprio Jeú se encarregaria de cumprir os propósitos de Deus. E ainda foi além.  Como se não bastasse destruir toda a descendência e o parentesco de Acabe, ele fez um serviço “extra” para Deus, eliminando todos os adoradores de Baal (2Re.10:28). Se pensarmos que Jeú estava imbuído de um sentimento “sincero” de obedecer a Deus, pelo fato de lhe agradecer a unção como rei, nos enganaremos. Logo após cumprir a missão ordenada e também a missão “extra”, Jeú se entregou à sua natureza, fazendo o que bem entendesse.  Jeú também seguiu a religião de Jeroboão, filho de Nebate, que basicamente consistia em fazer atos religiosos ao gosto do povo e não por obediência a Deus (2Re.10:29,31). E assim prosseguiu, até a sua morte, após deixar o exemplo para os descendentes e conterrâneos. Os fatos principais da História estão registrados nesses resumos. A análise da História, entretanto, fica por nossa conta, o que devemos fazer à luz do Novo Testamento, do restante da revelação bíblica e à luz do Espírito Santo.  Por que Deus escolheu a Jeú?  Entendemos que foi porque não havia outro melhor, ou menos pior, para cumprir “aquelas missões”.  Perguntamos se não poderia Deus “importar” um rei para Israel, de Judá ou mesmo de outro país, um rei que fosse mais do agrado de Deus. Não, certamente. Deus já deu mostras suficientes de que usa “o que tem disponível”. E das pessoas que tinha, o Jeú era o que mais se aproximava do perfil exigido para cumprir aquelas missões. E qual perfil?   Jeú era um homem rude, sem muita cultura, sem muita espiritualidade, violento e ousado. E isso atendia aos propósitos de Deus naquela ocasião. Se até mesmo Elias e Eliseu fugiram daquela missão, entendemos que qualquer outro rei, no lugar de Jeú, seria mais condescendente, tolerante e brando, não cumprindo bem a missão “violenta” dada por Deus. Recordemos que Jéter, o filho de Gideão, quando recebeu do pai a missão de matar dois reis, tremeu e não o fez (Jz.8:20). Até mesmo o próprio Deus se utilizou de um demônio, para cumprir a missão “violenta” de matar o rei Acabe (1Re.22:22,23). Não devemos nos esquecer que Deus é o “Senhor dos Exércitos”. Entendemos aqui um princípio inerente à Soberania de Deus: “Ele usa quem Ele quer”. E em geral, dentre os disponíveis. Também em geral ninguém cumpre totalmente a vontade de Deus. Mas esse fato não é problema para Deus, uma vez que Ele “sabe escrever a História”, ainda que com “linhas tortas”. O que me deixa extasiado é que Deus tem usado homens de todo tipo no decorrer da História, para fazer a Sua vontade acontecer. Por exemplo, Deus “usou” Caim, para nos ensinar as virtudes de Abel. Ele usou Judas, Pilatos e os sacerdotes, cada um na sua índole própria, para fazer cumprir o Seu propósito de levar Jesus à cruz. Ele usou Nabucodonozor para levar o Judá cativo, a fim de promover, com dores, o avivamento necessário entre eles. Deus usou Ciro, rei da Pérsia, para fazer o Seu povo voltar do cativeiro. E assim, Deus tem usado os reis da História para propiciar condições à Igreja para desenvolver a santificação e o aperfeiçoamento espiritual. Deus usou o Comunismo e seus violentos líderes para trazer na Igreja subterrânea os mais lindos capítulos de fidelidade a Deus. De igual maneira, Deus tem usado o Estado Islâmico e os terroristas muçulmanos, para fazer Israel se voltar para a Torah.  E no Brasil, me impressiona sobremaneira como Deus usa o “pessoal” do tráfico, para despertar nos crentes temor e coragem para testemunhar. Até mesmo os governantes corruptos do Brasil não deixam de “serem usados” por Deus para “purificar a Igreja”, isto é, aliciar e corromper aqueles que não têm o coração sincero para com Deus (2Tm.2:20). Até mesmo a mídia e o dinheiro têm sido “usados” por Deus para “separar”, dentre os líderes evangélicos, aqueles que são corrompíveis. E Deus faz questão de que tudo isso se torne público, “para que os aprovados se manifestem”. E, com dor no coração, eu posso afirmar que “até os falsos profetas e apóstolos” de nosso meio no Brasil, também estão cumprindo uma “missão divina”, qual seja, de oferecer a oportunidade para que os que queiram possam voltar à lama, que na verdade é o seu lugar (2Pe.2:22).  Eles estão cumprindo uma missão “dura” (como a de Jeú2Re.10:18) no Brasil de hoje, que é a de “enganar, se possível, até os próprios eleitos” (Mt.24:24). Os verdadeiros cristãos vão se entristecer, mas conseguirão ficar firmes (2Tm.2:19), ainda que a maioria se corrompa (Ap.22:11). Mesmo se corrompendo, eles estão divulgando o Evangelho. São os Jeús de hoje.   Pense nisto, em como os falsos profetas têm facilidade para convencerem, prosperarem, se enriquecerem e fazerem suas igrejas “crescerem” (1Tm.6:9,10 e 1Jo.4:5). Eles usam o Evangelho, embora seu coração não esteja no Evangelho.  São como Jeú.     

                 As Igrejas Evangélicas do Brasil estão cheias de Jeús, fazendo a História acontecer!!!     

 

Pr. Érico R. Bussinger   Ramá – Niterói - RJ

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